um rei que não envelhece sem coroa e palácio poderoso invencível rei de paz inquietante onde seu exército? onde suas armas? o que deseja de nós já que não nos oprime? ó incrédulos soldados de corações sem pólvora! há de vir um dia a batalha final. o rei sem coroa o juiz sem toga não condenará os que violam leis o médico sem jaleco piedoso esculápio curará as feridas dos arrependidos
Escrito por Ronaldo Giusti às 10h36
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árvore morte em semente
fruto morte em flor semente o fruto em dor parto árvore dor
Escrito por Ronaldo Giusti às 14h27
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um golpe certeiro nos sobreviventes: eis a vingança plena do suicida impune
Escrito por Ronaldo Giusti às 15h07
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a noite prevalece enfim dia que entardeço aos pedaços juntar o ser - jazia aos cacos tarefa da alquimia em mim o primata que sou nesta existência ambígua pensa no amanhã que o hoje só é lida flores no mausoléu do soldado imaginário homenagem ao que não foi sequer da vida usuário.
Escrito por Ronaldo Giusti às 09h17
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um nada-a-fazer domingo quente outubro infindo eu-só a santa percorre em sua berlinda caminhos a levarão carregada à morada imponente da folha dezesseis
Escrito por Ronaldo Giusti às 23h47
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o barro de que me componho fenecerá um dia: roto alquebrado inútil se o nada é o fim por que nos compomos da inútil matéria? resta viver o vigor do delírio: o pulsar da matéria no recompor do barro?
Escrito por Ronaldo Giusti às 09h36
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o vencedor sorri queda o derrotado
aplausos e dor quem contará essa história?
Escrito por Ronaldo Giusti às 09h49
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o verme sem verve esconde-se como? rasteja o verme e as pernas onde? o verme silente sem grito quando? não vive o verme mas vive o homem
Escrito por Ronaldo Giusti às 16h53
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é como se sorrisses sem sorrires e brilhassem teus dentes reclusos à escuridão da tua boa é como se olhasses a escuridão do mundo e buscasses com teu olhar de anzol fisgar a manhã clara que se esconde no abissal egoísmo humano
Escrito por Ronaldo Giusti às 11h07
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pelo voto individual do poeta elegeu-se a dona da inspiração para um mandato perpétuo pouco importa se a dona se importa com a eleição se comparecerá ao ato de posse se corresponderá à poesia latente que flui do coração do poeta ainda que não queira que renuncie ao mandato que fuja ao decoro da função permanecerá para sempre no cargo pela vontade autoritária do poeta
Escrito por Ronaldo Giusti às 11h03
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eu sei que a vida não é um poema que eu possa manipulá-lo ajustando as palavras ao texto servindo-me da liberdade poética para criar neologismos ou mesmo transgredir as regras impostas pelos gramáticos eu sei muito bem que a vida é assim mesmo como dizem os conformistas mas sei também que não é bem assim e eu não preciso me corromper diante das propostas de enriquecimento fácil ou me enfiar num tubo de pasta dental ocultando-me do burburinho das ruas apenas para fugir de uma vontade louca que não explico nem quero explicar que me compele a buscar na noite um abraço um sussurro um hálito um beijo...
Escrito por Ronaldo Giusti às 11h01
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os degraus
os degraus da longa escada
os degraus da longa escada para alcançar
os degraus da longa escada para alcançar um olhar
o olhar
o negro olhar
o negro olhar de montanha
o negro olhar de montanha ao longe
eu só
eu só e tanta gente
eu só e tanta gente ao redor
eu só e tanta gente ao redor em tumulto
os olhares
os olhares se encontram
os olhares se encontram distantes
os olhares se encontram distantes e sorriem
o jantar
o jantar em fila indiana
o jantar em fila indiana e a fome
o jantar em fila indiana e a fome a nos igualar
Escrito por Ronaldo Giusti às 12h41
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minha tarde fria
quem há de aquecê-la?
tua alegria em brasa
escorre nos vãos dos dedos
das horas que passam em vão
flor e fogo se somam
ao desejo de aquecê-la
e assim me perco
e se me encontro
é na noite insone
da brisa fria nas janelas
e endredons surrados
Escrito por Ronaldo Giusti às 11h12
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teu ódio de classe
se esconde
no cotidiano da tua luta
e não resiste ao perdão
que extrais diariamente
da vida cristã
perdoar a exploração
em nome do amor cristão
perdoar e condenar-se
à escravidão eterna
eis o teu destino operário
Escrito por Ronaldo Giusti às 12h37
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rua são Jorge 36
O olhar a voz a tez
escondo o medo
de tal modo atroz
aguardo silente
a tez o olhar a voz
dono de mim
proponho me dar
paciente espero
a voz a tez o olhar
Escrito por Ronaldo Giusti às 11h47
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