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A POESIA É NECESSÁRIA
 


a noite ao corpo

nega o sono

a superar o sonho

da vida em claro

estático no leito

e atado a teias

de infeliz insônia

o corpo olha o teto

da noite eterna

sem sonho e sono

o corpo silente

- ó discursos vãos -

projeta um voo

em livre queda



Escrito por Ronaldo Giusti às 13h35
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Poesia de Pedro Giusti

BUMERANGUE

HÁ MUITO TEM-
       PO EU NÃO ME
              VISITAVA.QUAN-
                     DO VOLTEI,  POR
                             POUCO  NÃO   ME
                                      ENCONTREI.TÃO
                                               DIFERENTE  ES-
                                                      TAVA.  EU ERA
                                                             QUASE  UM ES-
                                                             TRANHO  PARA
                                                    MIM.  DA  PRÓ-
                                           XIMA  VEZ  NÃO
                                  DEMORES  TANTO
                          A  VOLTAR   POR-
                  QUE  É  BEM CA-
            PAZ  QUE  EU  JÁ
    NÃO   ME  RECO-
NHEÇA  MAIS.
  *&*


Escrito por Ronaldo Giusti às 00h24
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aquela estátua de bronze

se fosse apenas o bronze

seria um inútil metal

não porque eu quero

que assim seja

mas porque a estátua

é estátua porque é estátua

e não porque o bronze

lhe garanta essa condição

e nem porque o seu escultor

a tenha projetado estátua

objeto estático

em sua dureza

que a alma do escultor

reduz à sombra

em que pássaros passeiam

e bicam sementes perdidas





Escrito por Ronaldo Giusti às 12h34
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um rei

que não envelhece

sem coroa

 e palácio

poderoso

invencível rei

de paz inquietante

onde seu exército?

onde suas armas?

o que deseja de nós

já que não nos oprime?

 

ó  incrédulos soldados

de corações sem pólvora!

 de vir um dia

a batalha final.

o rei sem coroa

o juiz sem toga

não condenará

os que violam leis

o médico sem jaleco

piedoso esculápio

curará as feridas

dos arrependidos



Escrito por Ronaldo Giusti às 10h36
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árvore

morte em semente

fruto

morte em flor

semente

o fruto em dor

parto

árvore

dor



Escrito por Ronaldo Giusti às 14h27
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um golpe certeiro

nos sobreviventes:

eis a vingança plena

do suicida impune



Escrito por Ronaldo Giusti às 15h07
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a noite prevalece enfim

dia que entardeço aos pedaços

juntar o ser - jazia aos cacos

tarefa da alquimia em mim

 

o primata que sou

nesta existência ambígua

pensa no amanhã

que o hoje só é lida

 

flores no mausoléu

do soldado imaginário

homenagem ao que não foi

sequer da vida usuário.



Escrito por Ronaldo Giusti às 09h17
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um nada-a-fazer

domingo quente

 outubro infindo

eu-só

a santa percorre

em sua berlinda

caminhos

 a levarão carregada

à  morada imponente

da folha dezesseis



Escrito por Ronaldo Giusti às 23h47
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o barro

de que me componho

fenecerá um dia:

roto

alquebrado

inútil

 

se o nada

é o fim

por que

nos compomos

da inútil matéria?

 

resta viver

o vigor

do delírio:

o pulsar da matéria

no recompor

do barro?



Escrito por Ronaldo Giusti às 09h36
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o vencedor sorri

queda o derrotado

aplausos e dor

quem contará

essa história?



Escrito por Ronaldo Giusti às 09h49
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o verme

sem verve

esconde-se

como?

 

rasteja

o verme

e as pernas

onde?

 

o verme

silente

sem grito

quando?

 

não vive

o verme

mas vive

o homem

 



Escrito por Ronaldo Giusti às 16h53
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é como se sorrisses sem sorrires

e brilhassem teus dentes

reclusos à escuridão da tua boa

é como se olhasses a escuridão do mundo

e buscasses com teu olhar de anzol

fisgar a manhã clara que se esconde

no abissal egoísmo humano



Escrito por Ronaldo Giusti às 11h07
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pelo voto individual do poeta

elegeu-se a dona da inspiração

para um mandato perpétuo

 

pouco importa

se a dona se importa com a eleição

se comparecerá ao ato de posse

se corresponderá à poesia latente

que flui do coração do poeta

 

ainda que não queira

que renuncie ao mandato

que fuja ao decoro da função

permanecerá para sempre no cargo

pela vontade autoritária do poeta



Escrito por Ronaldo Giusti às 11h03
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eu sei que a vida não é um poema

que eu possa manipulá-lo

ajustando as palavras ao texto

servindo-me da liberdade poética

para criar neologismos ou mesmo

transgredir as regras impostas pelos gramáticos

 

eu sei muito bem  que a vida é assim mesmo

como dizem os conformistas

mas sei também que não é bem assim

e eu não preciso me corromper

diante das propostas de enriquecimento fácil

ou me enfiar num tubo de pasta dental

ocultando-me do burburinho das ruas

apenas para fugir de uma vontade louca

que não explico nem quero explicar

que me compele a buscar na noite

um abraço um sussurro um hálito um beijo...



Escrito por Ronaldo Giusti às 11h01
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os degraus

os degraus da longa escada

os degraus da longa escada para alcançar

os degraus da longa escada para alcançar um olhar

 

o olhar

o negro olhar

o negro olhar de montanha

o negro olhar de montanha ao longe

 

eu só

eu só e tanta gente

eu só e tanta gente ao redor

eu só e tanta gente ao redor em tumulto

 

os olhares

os olhares se encontram

os olhares se encontram distantes

os olhares se encontram distantes e sorriem

 

o jantar

o jantar em fila  indiana

o jantar em fila indiana e a fome

o jantar em fila indiana e a fome a nos igualar



Escrito por Ronaldo Giusti às 12h41
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